Pomo do Mal

 

Dimanam do teu corpo as grandes digitales,

Os filtros da lascívia e o sensualismo bruto!

Tudo que em ti revive é torpe e dissoluto,

Tu és a encarnação da síntese dos males.

 

No entanto, toda a vez que o seio te perscruto,

A transbordar de amor como o prazer de um cálix,

Assalta-me um desejo, ó glória das Onfales!

— Morder-te o coração como se morde um fruto!

 

Então, se dentro dele um mal que a dor excite

Conténs de mais que o pomo estéril do Asfaltite,

Eu beberia a dor nos estos do delírio!...

 

E podias-me ouvir, excêntrico, medonho,

Como um canto de morte ao ritmo dum sonho,

0 poema da carne a dobres de martírio!...

 

Autor: Fontoura Xavier (1856-1922)
Editado por: nicoladavid

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