Nessa tristeza mórbida, secreta

 

Nessa tristeza mórbida, secreta,

Que te afugenta as sombras do repouso,

Eu vejo a hipocondria, a febre infecta

— Florescências do pântano do gozo.

 

Por uma noite de luar repleta,

Eu, contudo, quisera, fervoroso,

Sentir pulsar esta paixão discreta

No bronze do teu seio tormentosol

 

Depois... morrer! beijando como o paria

Na liça da peleja sanguinária

A mortalha de lodo em que se cose!

 

És o perfume negro, a flor do pasmo,

Que no silêncio morno do marasmo
Faz-me sonhar os estos da nevrose!...

 

Autor: Fontoura Xavier (1856-1922)
Editado por: nicoladavid

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