"Saudades de Um Amigo"

Tejo nos olhou outrora absortos

Naquele alto pensar que o mundo ignora,
Vagos os passos, vagos os discursos,

Dar cabo às horas encurtando os dias,
Ou mansos debatendo agudos pontos

Na florífera relva reclinados.

 

        Dura lei, que não podes ser quebrada!

        Tu vens do Eterno; e quantos hoje vivem, 
        Quer venham de pais reis, de pais pastores, 
        Co' a mesma mão a Parca os lança à cova. 
        Os que em terra mais firme se arreigaram 
        Como hóspedes de um dia se partiram.

 

                Ricas librés, soberbas armarias, 
                Dourada chave no bordado bolso 
                Não retém o credor do lago estígio;

                Findo o prazo imos nus aos ermos reinos, 
                E os Fados nos arrancam dos amigos ... 
                Oh, duríssima dor das duras dores!

 

 

 

Autor:  Filinto Elísio (1734-1819)

Editado por: nicoladavid

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