Tão alto me alevanta a fantasia

 

Tão alto me alevanta a fantasia

Ajudada a esperança do desejo,

Que a vista perco já, donde me vejo,

Daquele estado vil, em que me via

 

Mas pretende da inveja a vã porfia

A luz escurecer, por que me rejo,

E derribar com seu rigor sobejo

De tão alto lugar minha ousadia.

 

Mas vós, senhora, pois que meu cuidado

Está seguro em vós, com segurança

Lhe deveis sustentar seu alto assento

 

E se haveis, que merece castigado:

A pena é minha, e a culpa da esperança

Que as asas empenou ao pensamento.

Autor: Fernão Álvares do Oriente (Séc. XVI)
Editado por: nicoladavid

Comments