Deixando o eterno bem, na fúria brava

 

Deixando o eterno bem, na fúria brava

Do mar, que venerei, punha o descanso,

Abatido ao temor, em vão remanso

Tentando meus perigos abraçava..

 

Enjeitado o prazer, que não buscava

Busquei no amor os bens, que não alcanço,

E assim rendido da fortuna ao lanço

Sacrílegos altares adorava.

 

Fugi de mim, buscando a Glaura, cujo

Estandarte segui. Mas do perigo

Já livre, o bem que a vida me restaura.

 

Venero, abraço, busco, adoro, e sigo,

E deixo, abato, enjeito, rendo, e fujo

O mar, o medo, o amor, fortuna, e Glaura.

Autor: Fernão Álvares do Oriente (Séc. XVI)
Editado por: nicoladavid

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