Como a chama veloz clara e luzente

 

Como a chama veloz clara e luzente

Resplandece e às estrelas sobe ardendo,

Assim do corpo uma alma o peso erguendo,

Ao céu sobe abrasada em lume ardente.

 

Mas se do Nilo for até ao Oriente,

Nunca irei tempo justo e claro vendo;

E se o céu contra mim vi sempre horrendo,

E os dias cheios d’ira e pena urgente:

 

Por que causa minh’alma se injuria

Só daquilo em que os casos são culpados,

Pois de contino aspira ao que é mais alto?

 

Por merecer, trabalho cada dia,

Tudo o que podem dar fortuna e fados:

Se eles faltarem, saibam que eu não falto.

Autor: Fernão Álvares do Oriente (Séc. XVI)
Editado por: nicoladavid

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