Até que um Dia...

 

Meus versos eram rosas, lírios, heras, 
borboletas, regatos, cotovias 
cantando suas doces melodias, 
anjos, sereias, ninfas e quimeras. 

Meus versos eram pombas entre as feras 
e, na festa das horas e dos dias, 
ia dançando penas e alegrias 
e o ano tinha quatro primaveras. 

E a festa continua... é também festa 
o cardo e a urze, o tojo, a murta, a giesta, 
a chuva no beiral, o vento Norte, 

o gosto a mar, a lágrimas, a sal, 
até que um dia a vida, a bem ou mal, 
exausta de cantar me empreste à morte.

Autora: Fernanda de Castro (1900-1994)
Editado por: nicoladavid
 

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