Três Rosas


Sempre, mas sobretudo nas brumosas 
Horas da tarde, quando acaba o dia, 
Quando se estrela o céu, tenho a mania 
De descobrir, de ver almas nas cousas. 

Pendem deste gomil três lindas rosas; 
Uma é rosada, a outra branca e fria, 
Rubra a terceira; e a minha fantasia 
Torna-as humanas, vivas, amorosas. 

Sei que são rosas, rosas só! mas nada 
Impede, enquanto cai lá fora a chuva, 
Que a minha mente a fantasiar se ponha: 

Por ser noiva a primeira, é que é rosada; 
Branca a segunda está, por ser viúva; 
A vermelha pecou ... e tem vergonha! 

Autor: Eugénio de Castro (1869-1944)
Editado por: nicoladavid


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