"Oaristos"

 
Murmúrio de água na clepsidra gotejante,
Lentas gotas de som no relógio da torre,
Fio de areia na ampulheta vigilante,

Leve sombra azulando a pedra do quadrante,
Assim se escoa a hora, assim se vive e morre.

Homem, que fazes tu? Para quê tanta lida,

Tão doidas ambições, tanto ódio, e tanta ameaça?
Procuremos somente a Beleza, que a vida

É um punhado infantil de areia ressequida,

Um som de água ou de bronze e uma sombra que passa.

 

 

 

Autor: Eugénio de Castro (1869-1944 )
Editado por: nicoladavid

Não esqueça ligar o som.
 
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