Acorda cedo como os passarinhos




                                  (a Violante Maria Luisa)


Acorda cedo como os passarinhos

e vem logo direita à minha cama;

sacode-me com jeito, por mim chama

e abre-me os olhos com os seus dedinhos.

 

Estremunhado, zango-me. - "Beijinhos,

não quer beijinhos?" - com voz de ouro exclama.

Da minha ira empalidece a chama,

e, acarinhando-a, pago os seus carinhos.

 

Senhor! Que amor de filha tu me deste!

Dá-lhe um caminho brando e sem abrolhos,

dá-lhe a Virtude por amparo e guia!

 

  e destina também, ó Pai celeste,

que a mão com que ela agora me abre os olhos,

seja a que há-de fecharmos algum dia!

 

Autor: Eugénio de Castro (1869-1944)
Editado por: nicoladavid


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