A Laís


À ciprina Laís, de quem sou tributário. 
A Laís que possui compridas tranças pretas, 
P'lo meu escravo mandei, no seu aniversário, 
Um cacho moscatel num cabaz de violetas. 

Os amantes, que dão às suas namoradas 
Fulgurantes anéis de riqueza estupenda, 
Luminosos rocais e redes consteladas, 
Hão-de sorrir, bem sei da minha humilde of'renda. 

Pensei em dar-lhe, é certo, um precioso colar 
E um anel com mais luz do que o incêndio de Tróia, 
Mas reconsiderei de pronto, ao atentar 
Que ainda ninguém viu dar jóias a uma jóia... 

Autor: Eugénio de Castro (1869-1944)
Editado por: nicoladavid


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