Não canto porque sonho

 

Não canto porque sonho.

Canto porque és real.

Canto o teu olhar maduro,

o teu sorriso puro,

a tua graça animal.

 

Canto porque sou homem.

Se não cantasse seria

o mesmo bicho sadio

embriagado na alegria

da tua vinha sem vinho.

 

Canto porque o amor apetece.

Porque o feno amadurece

nos teus braços deslumbrados.

Porque o meu corpo estremece

por vê-los nus e suados.

 

Autor: Eugénio de Andrade (1923-2005)
Editado por: nicoladavid

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