Arima


Uma gaivota – dizes.

Sim, uma gaivota

passa distante e arde.

O teu rosto é azul,

e contudo está cheio

do oiro da tarde.

 

Uma gaivota.

Alma do mar e tua,

abandona-se à luz.

 

E na boca nem eu sei

se me nasce o coração

ou é a lua.

 

Autor: Eugénio de Andrade (1923-2005)
Editado por: nicoladavid


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