"Carta do meu enlevo"


Num perturbado e doce enlevo,

A ti, que és linda e frágil como as rosas,

Enternecido, apaixonado, eu escrevo
Esta carta de páginas nervosas…

Com modos até hoje inconfessados,
Vou confessar-te, numa exaltação,
Os versos para ti arquitectados,
E guardados, Amor, no coração…

Desde que nós, Amor, nos conhecemos,
Jamais um mau-olhado se trocou,
E com loucura, assim, nós aprendemos
A amar, como jamais alguém amou…

Depois, todos os sonhos que sonhámos,
Ansiosos de paixão, ansiosamente,
E os beijos, meu Amor que desejámos,
Sempre foram vividos, febrilmente…

…Vamos cantar a vida à nossa roda,
Bebê-la a longos sorvos, com paixão:
- que um beijo nosso sinta a vida toda
Dentro do nosso próprio coração…

Se a vida é para muitos entristada,
Assim, dum baço tom d’entardecer,
- nós, p’ra nós, a faremos desejada
De amor e de desejos de viver…

Autor: Ernesto Tomé
Editado por: nicoladavid

 

Comments