Senti exéquias em meu cérebro

 

Senti exéquias em meu cérebro

E, agitando-se, carpideiras

A pisar o solo, a pisar

Até que o senso pareceu irromper.

 

E, quando todas se aquietaram,

De um rito, o tambor

Passou a ressoar e pensei

Que a minha mente entrava em torpor.

 

Ouvi então erguerem um esquife

E cruzarem a minha alma

Com as mesmas botas de chumbo a ranger;

O espaço começou a soar

 

Como se os céus um sino fossem

E o ser nada mais que um ouvido,

E eu e o silêncio, uma estranha raça

Aniquilada e solitária, aqui;

 

E logo uma tábua na razão quebrou-se

E fui caindo, caindo,

E, na queda, atingia mundos

E acabei por saber – então –

Autora: Emily Dickinson (1830-1886)
Editado por: nicoladavid

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