Muralhas não me impediriam

 

Muralhas não me impediriam,

Se fosse rocha o universo

E eu ouvisse sua voz de prata

A chamar do outro lado da pedra.

 

Cavaria até que meu túnel

Ao seu de repente chegasse,

Teria então minha recompensa –

Deter-me no seu olhar.

 

Mas existe um quase nada,

Um filamento, uma lei,

Teia em diamante urdida,

Ou palha trançada em ameia –

 

É um limite ao véu

Por sobre o rosto da dama –

Mas cada dobra é um fortim

Com dragões por entre a renda.

Autora: Emily Dickinson (1830-1886)
Editado por: nicoladavid

Comments