Pecadora

 

Conheci-a feliz. Na fina transparência

do seu rosto gentil dum tom aveludado,

havia a nota ideal dum sonho imaculado,

e o perfume sutil da cândida inocência.

 

Restava-lhe inda a mãe. Que límpida existência,

no pequeno casebre antigo e sossegado!

Como o tempo corria alegre e perfumado!

Que esplêndido viver de luminosa essência!

 

Há dias encontrei-a. Ao vê-la, estremeci;

não era a mesma já, que em tempo conheci

de modesto roupão e olhar que alucinava.

 

Mas notei o cetim lustroso do vestido

tinha manchas sutis - vestígio dolorido

das lágrimas sem fim que a tristeza derramava.


Autor: Eduardo Coimbra (1864-1884)
Editado por: nicoladavid

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