Os Ruídos da Primavera


1

Ao chão uma farpa
de oiro chegava
um fresquíssimo
e gotejante cheiro
 a perseguida luz.

2

Inebriante a fosforecência
dos frutos, a curtida
lã da brisa
deslumbrada de lumes quase
ardia a infância
de março.

3

Frutos da água afagava
olhando o verão
de relance. As vestes húmidas,
brancas de sol e vento,
rumorejando como ardentes rosas
de areia.
Chegava, passo lento, afastando
a cortina do tempo.

4

Esfregando no peito sombras
de oliveira, das mãos
caiu-lhe o apelante ruído
do mar.

Autor: Eduardo Bettencourt Pinto
Editado por: nicoladavid


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