De Mim, Da Maioria


De mim, da maioria,
andas tão longe, vida,
tornada para poucos céu aberto?

Mas não. Assim perdida

eu só te vejo enquanto não desperto.

Se, numa obscura luta que é de ti,
abro os meus olhos de exilado,
embora quase mudo,
surge logo o meu canto.

E solitária em breve estás ali
abrindo-me a visão do que tu és em nós,
em tudo,

com raivas, esperanças, riso e choro,
juntando, não em vão, a minha pobre voz
à voz de quanto

forma da solidão, na terra, o imenso coro.

Sinto que não me vejo,
pois o espelho que te dão é escuro.
Nem me procuro ver
conhecer-te melhor é que procuro.

No falso espelho o que sou eu?
O que seria?
Ou o que não?

Deixo certezas, dúvidas, perguntas,
àquele que, infiel ao teu instante,
errado em lealdade e certo na traição,
é ou será bastante
para negar-te de punhal na mão!

Fiel à vida? Sim,
mas não a um mundo
onde a não encontrei.
E quanto mais assim,
de mim

menos contrito morrerei!

Autor: Eduardo Bettencourt Pinto
Editado por: nicoladavid


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