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"Grande Povo!"



Desfalecido, errante, forasteiro,
Já das sombras da morte circundado,
Súbito ouvi: "Ressurge! que extirpado
Foi no Brasil para sempre o cativeiro".

Presto a fugir, o alento derradeiro
Volveu-me ao coração quase parado:
"Grande povo", exclamei, "povo adorado!
Entre os demais da terra és o primeiro!"

Traguei depois meu cálice de amarguras;
Mas da verdade a lei não há quem mude:
Grande povo! eu dissera entre torturas.

Grande povo no brio e na virtude!
Sê feliz, goza em paz as mil venturas
Que deparar-te quis e que não pude!

 

Autor: D. Pedro II (1678-1706)
Editado por: nicoladavid

 
 
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