"Triste remédio o mal de muitos"

 
 

Eu vi rir esta fonte; e deste rio
A verdura regada ser enveja

Da que mais verde entre esmeraldas seja;
Hórrido, o bosque; o prado vi sombrio.

 

Vejo chorar a fonte, e que de frio
O rio pára, o prado se despeja;
Seca a verdura; a neve é só sobeja:

O triste inverno assombra o claro estio.

 

                        Ora se servirá de ser vingado

                        Ver quão mal da mudança se assegura

                        A fonte, o rio, o bosque, o estio, o prado.

 

                        Ai de mim, que me chega a sorte dura 
                        A querer que alivie o meu cuidado

                        Por exemplos de alheia desventura!

 

 

Autor: D. Francisco Manuel de Melo (1608-1666)
Editado por: nicoladavid

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