Uma Gravura Fantástica


Um vulto singular, um fantasma faceto,

Ostenta na cabeça horrível de esqueleto

Um diadema de lata, - único enfeite a orná-lo

Sem espora ou pinguelim, monta um pobre cavalo,

Um espectro também, rocinante esquelético,

Em baba a desfazer-se como um epitético,

Atravessando o espaço, os dias lá vão levados,

O Infinito a sulcar, como dragões alados.

O Cavaleiro brande um gládio chamejante

Por sobre as multidões que pisa rocinante.

E como um gran-senhor, que seus reinos visite,

Percorre o cemitério enorme, sem limite,

Onde jazem, no alvor de uma luz branca e terna,

Os povos da História antiga e da moderna.

Autor: Charles Baudelaire (1821-1867)
Editado por: nicoladavid

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