Os Gatos



Os férvidos amantes e os sábios austeros,
No outono da vida, amor similar dão
Aos gatos fortes, meigos, orgulho da casa,
E, tal como eles, sedentários e friorentos.

Amigos da ciência como da volúpia,
Procuram o silêncio e as trevas sinistras,
E Erebo os tomara por fúnebres corcéis
Se à servidão dobrassem a cerviz altiva.

Adoptam ao sonhar as nobres atitudes
De esfinges deitadas nos mais profundos ermos,
Que parecem fechadas num sonho infinito;

Lançam os rins fecundos mágicas centelhas
E há farrapos de oiro e areia fina
A estrelar-lhes vagamente as pupilas místicas.

Autor: Charles Baudelaire (1821-1867)
Editado por: nicoladavid

Comments