O Rebelde


Do céu desaba como águia um Anjo irado
E p'los cabelos o descrente agarra firme,
dizendo a sacudi-lo: «A lei hás-de seguir,
Pois sou o teu bom Anjo, e assim o determino!

«Boa vontade urge que mostres em amar
O malvado, o pobre, o corrupto, o imbecil,
Para que a Jesus apresentes, quando passe,
Co'a tua caridade, um triunfal tapete.

Tal é o Amor! Antes de pervertida a alma,
Reacende à glória de Deus o teu fervor;
Eis a real volúpia, a de fascínio eterno!»

E o Anjo, que tanto castiga quanto ama,
Com punhos de gigante o danado atormenta,
Que sempre, sempre lhe responde: «Mas não quero!»

Autor: Charles Baudelaire (1821-1867)
Editado por: nicoladavid

Comments