O Cachimbo


Trigueiro, negro, enfarruscado,

Sou o cachimbo de um autor,

incorrigível fumador,

Que me tem já quase queimado.

Quando o persegue ingente dor,

Eu, a fumar, sou comparado

Ao fogareiro improvisado

Para o jantar de um lenhador.

Vai envolver-lhe a tova mente

O fumo azul e transparente

Da minha boca em erupção...

A sua dor, prestes, se acalma;

Leva-lhe o fumo a paz à alma,

Vai Alegrar-lhe o coração!


Autor: Charles Baudelaire (1821-1867)
Editado por: nicoladavid



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