Intangível


Quero-te como quero à abóbada nocturna,

O' vazo de tristeza, ó grande taciturna!

E tanto mais te quero, ó minha bem amada,

Por te ver a fugir, mostrando-te empenhada

Em fazer aumentar, irónica, a distância

 

Que me separa a mim da celestial estância.

Bem a quero atingir, a abóbada estrelada,

Mas, se julgo alcançar, vejo-a mais afastada!

Pois se eu adoro até - ferro monstro, acredita! -

O teu frio desdém, que te faz mais bonita!

Autor: Charles Baudelaire (1821-1867)
Editado por: nicoladavid



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