Epílogo



Subi com alegria ao alto da montanha,
Donde, na sua amplidão, se avista a cidade,
Hospício, bordel, purgatório, inferno, cárcere:

Tal corola a abrir-se, a enormidade floresce.
Ó Satã, padroeiro da minha miséria,
Bem sabes que não vim para um lamento vão;

Tal um devasso atrás de velha concubina,
Venho só inebriar-me com a imensa rameira,
Cujo infernal encanto sempre me remoça.

Que ainda dormites entre as colchas da manhã,
Lenta, doente, obscura, ou te pavoneies
Nos véus da noite, com polvilhos de oiro fino,

Amo-te, ó capital infame! Cortesãs 
E malfeitores, os prazeres que proporcionais
Jamais pode o vulgo profano percebê-los.

Autor: Charles Baudelaire (1821-1867)
Editado por: nicoladavid

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