"Embriaguem-se"



É preciso estar sempre embriagado. Aí está:
eis a única questão. Para não sentirem o
fardo horrível do Tempo que verga e inclina
para a terra, é preciso que se embriaguem
sem descanso.

Com quê? Com vinho, poesia ou virtude,
a escolher. Mas embriaguem-se.

E se, porventura, nos degraus de um palácio,
sobre a relva verde de um fosso, na solidão
morna do quarto, a embriaguez diminuir ou
desaparecer quando você acordar, pergunte
ao vento, à vaga, à estrela, ao pássaro, ao
relógio, a tudo que flui, a tudo que geme,
a tudo que gira, a tudo que canta, a tudo
que fala, pergunte que horas são; e o vento,
a vaga, a estrela, o pássaro, o relógio
responderão: "É hora de embriagar-se!
Para não serem os escravos martirizados
do Tempo, embriaguem-se; embriaguem-se
sem descanso".

Com vinho, poesia ou virtude, a escolher.

 

 

Autor:  Charles Baudelaire
Editado por: nicoladavid

 

Não esqueça ligar o som.
 
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