Diários Íntimos

 Os Diários íntimos são constituídos por notas geralmente breves, nas quais o autor exprime as suas ideias sobre Deus, a mulher, a beleza, a arte e regista os acontecimentos do dia-a-dia.

Foguetes

Não desprezeis a sensibilidade de ninguém.
A sensibilidade de cada um é o seu génio. Há só dois lugares onde se paga para se dissi­par: as latrinas públicas e as mulheres. Por uma ardente concubinagem, podemos adivi­nhar os prazeres de um jovem casal. O gosto precoce das mulheres. Eu confundia o odor das peles com o odor das mulheres. Lembro-me... Enfim, eu gostava da minha mãe pela sua elegância. Era, portanto, um dândi precoce. Os meus antepassados, idiotas ou maníacos, em apartamentos solenes, todos eles vítimas de ter­ríveis paixões.

Os países protestantes carecem de dois elementos indispensáveis à felicidade de um homem bem-educado: a galantaria e a devoção. A mistura do grotesco e do trágico é agradável ao espírito como aos ouvidos embotados são as discordâncias.

O que há de inebriante no mau gosto é o pra­zer aristocrático de desagradar.
A Alemanha exprime o devaneio pela linha, como a Inglaterra o exprime pela perspectiva. Há na gestação de qualquer pensamento sublime um abalo nervoso que se sente no cerebelo. A Espanha põe na religião a ferocidade natural do amor.

Autor: Charles Baudelaire (1821-1867)
Editado por: nicoladavid

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