Aspiro a um repouso absoluto

 

Aspiro a um repouso absoluto e a uma noite contínua.

Poeta das loucas voluptuosidades do vinho e do ópio, não tenho outra sede a não ser a de um licor desconhecido na Terra e que nem mesmo a farmacopeia celeste poderia proporcionar-me; um licor que não é feito nem de vitalidade, nem de morte, nem de excitação, nem de nada.

Nada saber, nada ensinar, nada querer, nada sentir, dormir e sempre dormir, tal é actualmente a minha única aspiração.

Aspiração infame e desanimadora, porém sincera.

 

Autor: Charles Baudelaire (1821-1867)
Editado por: nicoladavid

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