A Uma Dama Crioula


No país oloroso afagado p'lo sol,
Conheci, sob um dossel d'árvores cor de púrpura
E palmas que a preguiça escorrem para os olhos,
Uma dama crioula de estranhos encantos.

É cálida, pálida a tez, e donairoso
O nobre colo da morena feiticeira;
Esguia e longa no seu andar de amazona,
Tem sereno o sorriso e o olhar seguro.

Se acaso fordes, Senhora, à terra da glória,
Lá nas margens do Sena e do Loire,
Ó bela, digna de ornar um castelo antigo,

Por vós hão-de brotar nos umbrosos refúgios
Sonetos aos mil no coração dos poetas,
A esse olhar rendidos mais que os vossos escravos.

Autor: Charles Baudelaire (1821-1867)
Editado por: nicoladavid

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