O Náufrago Nadou Por Longas Horas...


O náufrago nadou por longas horas...

Na praia dorme frio num desmaio.

A força após a luta abandonou-o,

Do sol queimou-lhe a face ardente raio.

 

Pois eu sou como o nauta... Após a luta

Meu amor dorme lânguido no peito.

Cansado... talvez morto, dorme e dorme

Da indiferença no gelado leito.

 

Sobre as asas velozes a andorinha

Maneira se lançou nos puros ares...

Veio após o tufão... lutou debalde,

Mas em breve boiou por sobre os mares.

 

Eu sou como a andorinha... Ergui meu vôo

Sobre as asas gentis da fantasia.

A descrença nublou-me o céu da vida...

E a crença estrebuchou numa agonia.

 

Como as flores de estufa que emurchecem

Lembrando o céu azul do seu país,

Minha alma vai morrendo, suspirando

Por seus perdidos sonhos tão gentis.

 

E que durma ... E que durma ... ó virgem santa,

Que criou sempre pura a fantasia,

Só a ti é que eu quero que te sentes

Ao meu lado na última agonia.

 

Autor: Castro Alves (1847-1871)
Editado por: nicoladavid


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