Aos Estudantes Voluntários


(Recitativo)

Poesia recitada no Teatro Santa Isabel

na noite do oferecimento da Academia.

 

                   *

O Céu é alma... O relâmpago
É uma idéia de luz,
Que pelo crânio do espaço
Perpassa, brilha e reluz...
Depois o trovão — é o verbo.
Segue-o o raio — gládio acerbo,
Que se desdobra soberbo
Pelos páramos azuis.

Ação e idéia — são gêmeos,
Quem as pudera apartar?...
O fato — é a vaga agitada
Do pensamento — que é o mar…
Cisma o oceano curvado,
Mas da procela vibrado,
Solta as crinas indomado,
Parece o espaço escalar.

Assim sois vós!... Nem se pense
Que o livro enfraquece a mão.
Troca-se a pena com o sabre,
Ontem — Numa… Hoje — Catão...
É o mesmo... Se a pena é espada
Por mão de Homero vibrada,
Com o gládio — epopéia ousada
Traça mundos — Napoleão…

Que importa os raios trovejem
Nas florestas do existir
Parti, pois! Homens do livro!
Podeis ousados partir!
Pois sereis…, vindo com glória,
Ou morrendo na vitória…
Homens do livro da História
Dessa Bíblia do porvir! 

Autor: Castro Alves (1847-1871)
Editado por: nicoladavid


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