Ao violinista F. Moniz Barreto Filho


(Improviso no teatro Santa Isabel)

                   MOTE

                                              "No teu arco prendeste à eternidade!"
                                                             Tobias Barreto

Era No Céu, à luz da lua errante,
Moema triste, abandonando os lares,
Cindia as vagas dos cerúleos mares
Te erguendo ao longe, ó peregrino infante!

Lá dos jardins sob o vergel fragrante,
A sombra dos maestros, sobre os ares, 

Ouvias das estrelas os cantare
— Aves d'ouro no espaço cintilante.

Mas quando o gênio teu se alteia aflito,
Da alabastrina luz à claridade,
Lançando flores, lá do céu proscrito,

Pasma Bellini; e em meio à imensidade
Diz a lua suspensa no infinito:
"No teu arco prendeste a eternidade!"

Autor: Castro Alves (1847-1871)
Editado por: nicoladavid


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