Varina


Ó Varina, passa,
Passa tu primeiro...
Que és a flor da raça,
A mais séria graça
Do país inteiro!

Teu orgulho seja
Sonora fanfarra,
Zimbório de igreja!
Que logo te veja
Quem entra na barra.

Lisboa, esquecida
Que é porto-de-mar,
Fica esclarecida
E reconhecida
Se te vê passar.

Dá-lhe a tua graça
Clássica e sadia,
Ó Varina, passa...
Na noite da raça
Teu pregão faz dia!

Vê que toda a gente,

Ao ver-te, sorri,
Não sabe o que sente,
Mas fica contente
De olhar para ti.

E sobre o que pensa
Quem te vê passar,
Eterna, suspensa,
Acena a imensa
Presença do Mar!

 

Autor: Carlos Queiroz (1907-1949)
Editado por: nicoladavid
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