Tomás Ribeiro

 

Ao cantor de D. Jaime era ousadia
Dedicar uns insípidos sonetos,
Bem pálidos, mesquinhos esbocetos
Dos Ridículos grandes d’hoje em dia.

A ti que ileso passas nesta orgia,
Modesto, honrado e amado, que amuletos
Te salvam destes pântanos infectos
Em que chafurda a esquálida anarquia?

Tantas vezes Governo!... E não tens pejo
De ser pobre, ó Tomás?... Isto que vejo
Me inspira o vaticínio que registro:

Dirão de ti as porvindouras eras:
“Ministro pobre em Portugal! Quimeras!...
Ou viveu farto, ou nunca foi ministro!”


Autor: Camilo Castelo Branco (1825-1890)
Editado por: nicoladavid

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