"Mansas as Naus de Zarco"


Mansas as naus de Zarco vão singrando,
Já lentamente se descerram véus;
Longe começa a névoa contornando
Um ponto que não é mar nem céus;
Parece um sonho mágico tombando
Como um milagre, lá das mãos de Deus;
- Por isso dando graças ao Senhor,
Fecham os olhos para ver melhor…
(…)

Quando porão as caravelas rasas
Esses gigantes que este mar povoam?
Que é d´esses monstros que possuem asas
E sobre as naus em desafio voam?
Aonde o ilhéu que dir-se-ias brasas
Para consumir os barcos que lhe aproam?
E as outras tantas coisas semelhantes
Que nos contaram velhos mareantes? (…)

 

Autor: João Cabral do Nascimento (1897-1978)
Editado por: nicoladavid

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