O ganhão da Beira alpestre

 

O ganhão da Beira alpestre
Chegou da nativa serra,
Para o trabalho campestre.
Mas como amanhar a terra?

Não entra com ela o arado!…
Queimado o tojal nos montes!
Morto à fome e à sede o gado!
Secas ribeiras e fontes!

O sol alto a dardejar
Abrasou o prado e a selva!
E o cordeirito a balar
Sem ter um palmo de relva!

Não se ouvem cantar as noras…
Nem, no alfobre, umas verduras!…
Vêm repontando as auroras,
E cada em vêm mais puras!

Autor: Raimundo António de Bulhão Pato (1818-1912)
Editado por: nicoladavid

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