"Dois Beijos"

 

(A um recém-nascido que ia a enterrar)

   

Dois beijos tiveste um dia:

Da Aurora, quando nasceste;
E à tarde, quando morreste,
Do Sol que também morria.

 

Foi ditosa a tua sorte

Nos instantâneos lampejos;
Quantos não têm desses beijos
N em na vida nem na morte!

 

O Sol, no espaço de um dia,
Que mais podia fazer,

Que dar-te um beijo ao nascer
E um beijo quando morria!

 

 

Autor: Bulhão Pato (1829-1912)
Editado por: nicoladavid

Não esqueça ligar o som.

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