Vós crédulos mortais alucinados

 

Vós, crédulos mortais, alucinados
De sonhos, de quimeras, de aparências,
Colheis por uso erradas consequências
Dos acontecimentos desastrados

Se à perdição correis precipitados
Por cegas, por fogosas impaciências,
Indo a cair, gritais que são violências
De inexoráveis céus, de negros fados.

Se um celeste poder, tirano e duro,
As vezes extorquisse as liberdades,
Que prestava, oh Razão, teu lume puro?

Não forçam corações as divindades
Fado amigo não há, nem fado escuro;
Fados são as paixões, são as vontades.


Autor: Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765-1805)
Editado por: nicoladavid

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