Um Ente, dos mais entes soberano

 

Um Ente, dos mais entes soberano,
Que abrange a Terra, os Céus, a Eternidade;
Que difunde anual fertilidade
E aplana as altas serras do oceano;

Um númen só terrível ao tirano,
Não à triste, mortal fragilidade,
Eis o Deus que consola a humanidade,
Eis o Deus da razão, o Deus de Elmano.

Um déspota de enorme fortaleza,
Pronto sempre o rigor para a ternura,
Raio sempre na mão para a fraqueza;

Um criador funesto à criatura,
Eis o Deus que horroriza a Natureza,
O Deus do fanatismo ou da impostura.


Autor: Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765-1805)
Editado por: nicoladavid

Comments