Tu que em torpes desejos atolado

 

Tu, que em torpes desejos atolado
Vergonhosos prostíbulos frequentas:
Tu, que os olhos famintos alimentas
No cofre, de tesouros atulhado:

Tu, que do ouro e da púrpura adornado
Quase de igual a Júpiter ostentas,
bebendo as frases vis, e peçonhentas
Do bando adulador, que tens ao lado:

momentos, que desonrais a humanidade,
Desprezando a pobreza atribulada,
E transgredindo a lei da caridade:

O Desengano ouvi, que assim vos brada:
"Tremei da pavorosa eternidade,
Tremei filhos do pó, filhos do nada!"

Autor: Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765-1805)
Editado por: nicoladavid

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