Sonho ou velo? Que imagem luminosa

 

Sonho ou velo? Que imagem luminosa,
Esclarecendo o manto à noite escura,
meus olhos pasmados se afigura?
Sopeia a tua dor, alma saudosa!

De mais vistoso objecto o Céu não goza,
A clareza do Sol não é mais pura ...
Que encanto! Que esplendor! Que formosura!...
Caiu-te um astro, abóbada lustrosa! ...

Sorrisos da purpúrea madrugada,
Vós tão gratos não sois ... Ah! como inclina
A face para mim branda, apiedada!

Refulgente visão, tu és de Ulina;
Tu és cópia fiel da minha amada,
Ou reflexo talvez da luz divina.


Autor: Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765-1805)
Editado por: nicoladavid
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