Sonhei que nos meu braços inclinado

 

Sonhei que, nos meu braços inclinado,
Teu rosto encantador, Gertrúria, via;
Que mil ávidos beijos me sofria
Teu níveo colo, para os mais sagrado.

Sonhei, sonhei que era feliz por ser ousado,
Que o siso, a força, a voz, a cor perdida
Num êxtase suave, em que bebia
O néctar nem por Jove inda libado.

Mas no mais doce, no melhor momento,
Exalando um suspiro de ternura
Acordo, acho-te só no pensamento.

Oh Destino cruel! Oh Sorte escura!
Que nem me dure um vão contentamento!
Que nem me dure em sonhos a ventura!


Autor: Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765-1805)
Editado por: nicoladavid

 
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