"Soneto Napoleónico"



Tendo o terrível Bonaparte à vista,

Novo Aníbal, que esfalfa a voz da Fama,

"Ó capados heróis!" (aos seus exclama

Purpúreo fanfarrão, papal sacrista):

 

"O progresso estorvai da atroz conquista

Que da filosofia o mal derrama?..."

Disse, e em férvido tom saúda, e chama,

Santos surdos, varões por sacra lista:

 

Deles em vão rogando um pio arrojo,

Convulso o corpo, as faces amarelas,

Cede triste vitória, que faz nojo!

 

O rápido francês vai-lhe às canelas;

Dá, fere, mata: ficam-lhe em despojo

Relíquias, bulas, merdas, bagatelas.

 

Autor: Manuel Maria Barbosa du Bocage (1855-1935)
Editado por: Nicoladavid


Comments