Senhor que estás no Céu que vês na Terra

 

Senhor, que estás no Céu, que vês na Terra
Meu frágil coração desfeito em pranto,
Pelas ânsias mortais, o ardor, o encanto
Com que lhe move Amor terrível guerra;

Já que poder imenso em ti se encerra,
Já que aos ingénuos ais atendes tanto,
Socorre-me, entre os santos sacrossanto,
Criminosas paixões de mim desterra!

Fugir aos laços de um gentil semblante
Não posso eu só; da tua mão preciso,
Com que prostrou David o atroz gigante.

Fira-me a contrição, torne-me o siso,
Acode-me, Senhor, põe-me diante
Morte, Ju
ízo, Inferno e Paraíso».


Autor: Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765-1805)
Editado por: nicoladavid

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