Se o Grande o Que nos orbes diamantinos

 

Se o Grande, o Que nos orbes diamantinos
Tem curvos a Seus pés dos reis os fados,
Novamente me der ver animados
De modesta ventura os meus destinos;

Se acordarem na lira os sons divinos,
Que dormem (já da glória não lembrados),
Ao coro etéreo, cândidos e alados,
Honrar com ele um Deus ireis, meus hinos.

Mas, da humana carreira inda no meio,
Se a débil flor sentir murchada
Por lei que envolta na existência veio,

Co'a mente pelos Céus toda espraiada,
Direi, de eternidade ufano e cheio:
— (Adeus, oh mundo! oh natureza! oh nada!»


Autor: Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765-1805)
Editado por: nicoladavid

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