Rompe os ares peloiro sibilante

 

Rompe os ares peloiro sibilante
Da Guerra iníqua pelas mãos forjado,
E para te prostrar, Pireno amado,
Voa com ele a Parca devorante.

Cerras teus olhos, despe o teu semblante
Aquela viva cor de que era ornado,
E sobes, da matéria desatado,
Espírito feliz, ao Céu brilhante;

Na dura, marcial, honrosa lida,
Entre os braços da Glória heróico e forte,
Recebeste a cruel, mortal ferida.

Ah! que inveja me faz a tua sorte! ...
É viver, como eu vivo, infausta vida,
É morrer, como tu, ditosa morte!


Autor: Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765-1805)
Editado por: nicoladavid

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