Rapada amarelenta cabeleira

 

Rapada, amarelenta cabeleira;
Vesgos olhos, que o chá e o doce engoda;
Boca que à parte esquerda se acomoda,
(Uns afirmam que fede, outros que cheira);

Japona, que da Ladra andou na feira;
Ferrugento faim, que já foi moda
No tempo em que Albuquerque fez a poda
Ao soberbo Hidalcão, com mão guerreira;

Ruço calção que espipa no joelho,
Meia e sapato, com que ao lodo avança,
Vindo a encontrar-se coo esburgado artelho;

Jarra, com apetites de criança;
Cara com semelhança de besbelho;
Eis o bedel do Pindo, o doutor França.


Autor: Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765-1805)
Editado por: nicoladavid

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