Quem se vê maltratado e combatido

 

Quem se vê maltratado e combatido
Pelas cruéis angústias da indigência,
Quem sofre de inimigos a violência,
Quem geme de tiranos oprimido;

Quem não pode, ultrajado e perseguido,
Achar nos Céus ou nos mortais clemência,
Quem chora finalmente a dura ausência
De um bem que para sempre está perdido,

Folgará de viver, quando não passa
Nem um momento em paz, quando a amargura
O coração lhe arranca e despedaça?

Ah! Só deve agradar-lhe a sepultura,
Que a vida para os tristes é desgraça,
«A morte para os tristes é ventura».


Autor: Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765-1805)
Editado por: nicoladavid

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